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	<title>cosmonauta</title>
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		<title>5 meses vivendo na França</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 18:05:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cosmonauta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diario]]></category>

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		<description><![CDATA[Ser um estrangeiro é certamente agradável num primeiro momento, por se encontrar um mundo inteiramente novo, mas em seguida descobrimos que este mundo novo é alheio e exige adaptação.. Estou há 5 meses vivendo em Saint-Étienne, França, e agora que termino meu primeiro semestre de estudos de mestrado, posso escrever com tempo e com a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ser um estrangeiro é certamente agradável num primeiro momento, por se encontrar um mundo inteiramente novo, mas em seguida descobrimos que este mundo novo é alheio e exige adaptação..</em></p>
<p><div id="attachment_123" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2012/01/2012-01-22-09.32.28.jpg"><img src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2012/01/2012-01-22-09.32.28-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" class="size-medium wp-image-123" /></a><p class="wp-caption-text">Estação de Saint-Étienne</p></div>Estou há 5 meses vivendo em Saint-Étienne, França, e agora que termino meu primeiro semestre de estudos de mestrado, posso escrever com tempo e com a mente tranquila sobre a experiência. Como em qualquer lugar, existem pontos positivos e negativos sobre morar e estudar aqui. Por ironia esta cidade guarda algumas semelhanças com Joinville, tanto pelo tamanho quanto pela cultura. Saint Etienne é uma cidade conhecida por sua expressiva indústria (bicicletas e armamentos) o que a aproxima de Joinville como uma cidade de trabalhadores industriais &#8211; em que grande parte das pessoas ocupam suas vidas principalmente do trabalho e dos negócios. Um sintoma direto disso é que as ruas ficam desertas a partir das 9 da noite e um silêncio fantasma toma conta da cidade. Por outro lado, à luz do dia a cidade tem um aspecto acolhedor, com diversos cafés com mesas a céu aberto e belas praças onde as crianças costumam brincar. </p>
<p><div id="attachment_117" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2012/01/2011-10-21-15.45.13.jpg"><img src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2012/01/2011-10-21-15.45.13-300x225.jpg" alt="Universidade Jean Monnet" width="300" height="225" class="alignleft size-medium wp-image-112" /></a><p class="wp-caption-text">Universidade Jean Monnet</p></div> A universidade funciona de uma forma que inicialmente me pareceu estranha, sem horário fixo semanal para as disciplinas. Ou seja, a cada semana o número total de aulas e a distribuição destas para cada disciplina é diferente. Durante o semestre, a distribuicão das aulas segue mais ou menos a curva gausssiana: nas primeiras semanas há poucas aulas e apenas na manhã; nas semanas seguintes a quantidade de aulas aumenta gradativamente até chegar ao pico, com aulas todos os dias em todas as manhãs e tardes; e ao fim do semestre a quantidade de aulas volta então a diminuir até chegar aos exames finais. Estudei disciplinas que flertam com o campo da visão computacional e das cores: Algorithm Design and Analysis, Image Processing and Analysis, Color Science, Optics and Photonics e Data Analysis and Statistics. Todas elas apresentam conteúdos que são de grande interesse para mim, mas quando apresentadas em um pacote acadêmico, com a pressão de conseguir notas suficientes para ser aprovado, infelizmente acaba perdendo um pouco a graça.. Mas os momentos passados em laboratórios, reproduzindo experimentos como o prisma de Newton que divide a luz branca em seus componentes coloridos, reanimam o sentimento da descoberta e da curiosidade, que deveriam ser a essência da atividade científica. </p>
<p><div id="attachment_118" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2012/01/2011-11-02-11.18.28.jpg"><img src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2012/01/2011-11-02-11.18.28-300x225.jpg" alt="Trem Saint-Étienne" width="300" height="225" class="size-medium wp-image-118" /></a><p class="wp-caption-text">Trem de Saint-Étienne</p></div>Sobre o trânsito e a mobilidade urbana em Saint-Étienne, há um sistema interessante de aluguel de bicicletas, que inclusive sou usuário, com uma assinatura de 15 euros por ano para utilizar livremente qualquer bicicleta pública quando for preciso. O ponto negativo é que praticamente não há ciclovias para o uso destas bicicletas. O principal meio de transporte público dentro da cidade é o trem, que corta a rua principal de Saint Étienne. Como nesta rua há apenas o trilho de trem em todo seu percurso, ciclistas e motoristas frequentemente se locomovem por esse trilho, tomando cuidado para que não o façam quando o trem está a caminho &#8211; o que é certamente arriscado para os ciclistas, mas é a única opção em alguns casos.</p>
<p>Estou morando em uma residência universitária chamada La Cotonne, em uma kitnet de 9 metros quadrados. Pela primeira vez estou pagando minhas contas, fazendo minha própria comida e lavando minhas roupas &#8211; o sentimento de independência financeira é positivo e gratificante. A residência tem pontos positivos, como a cozinha compartilhada, onde é possível conhecer pessoas diferentes e o ambiente acaba lembrando as tradicionais cozinhas de hostel. Mas esta residência tem alguns problemas sérios que me deixaram desapontado. Em nome da &#8220;boa convivência&#8221;, não se permite que faça qualquer barulho nos quartos após as 11 da noite. Há um inspetor que controla os quartos, e caso eu esteja conversando com alguém ao telefone, por exemplo, ele irá bater na porta e me pedir para parar de falar. Outro ponto no mínimo bizarro é que estes mesmos inspetores da residência possuem chaves de todos os quartos e inspecionam os quartos para verificar se estão limpos ou arrumados. Na semana das minhas provas finais, em que apenas estudei e o quarto virou uma bagunça, um dia me deparo com um bilhete deixado em meu quarto onde estava escrito &#8220;vous devez netoyer votre chambre&#8221; (você deve limpar seu quarto). A Internet na residênia é também estritamente controlada, sites de compartilhamento de arquivos, torrent, p2p e sites de conteúdo erótico são todos bloqueados. </p>
<p><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2012/01/cctv.jpg"><img src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2012/01/cctv-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" class="alignleft size-thumbnail wp-image-128" /></a>Fico imaginando se isso ocorre apenas nessa residência, que talvez seja administrada por algum fascista paranóico, ou se este tipo de prática é também comum em outras residências universitárias. Ao me deparar com essas condições, em que a privacidade é anulada em detrimento de um &#8220;bem maior social&#8221;, não me impressiona terem sido franceses, Foucault e Deleuze, dois dos filósofos que mais criticaram o surgimento de uma sociedade disciplinar e de uma sociedade de controle. </p>
<p><div id="attachment_129" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2012/01/2011-10-06-17.30.54.jpg"><img src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2012/01/2011-10-06-17.30.54-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" class="size-thumbnail wp-image-129" /></a><p class="wp-caption-text">Manifestantes imigrantes</p></div>Estas questões nos aproximam também do que pode ser considerado o principal problema social que atinge atualmente toda a França, incluindo Saint-Étienne &#8211; o problema da imigração, principalmente de países árabes. O estado francês tem sido acusado de políticas duras e por vezes fascistas contra imigrantes, como colocá-los dentro de trailers e os despejarem para fora do país. Foi polêmica também a proibição do uso da burca que deixa apenas os olhos das mulheres à mostra. Eventualmente observo em Saint-Étienne passeatas de movimentos de apoio aos imigrantes, pedindo mais justiça e denunciando casos deste tipo. </p>
<p>Em último lugar, e não menos importante a se colocar, o que realmente pesa por aqui para mim é a solidão e por vezes a falta de comunicação (não tenho oportunidade de falar em português com frequência). Ter deixado os amigos e a família e partir para um lugar com uma língua e cultura diferentes é um grande desafio. Mas encaro com força e determinação, pois como muitos dizem, aquilo que não nos mata nos faz mais fortes. Minha amada também está a caminho, o que me tranquiliza e me prepara para uma lua de mel francesa!</p>
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		<title>Tristeza e beleza</title>
		<link>http://cosmonauta.noblogs.org/post/2011/12/18/98/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 13:06:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cosmonauta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Pseudo-poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Qual a relação entre a tristeza e a beleza? Costuma-se chamar de melancolia o sentimento associado a uma aparente fusão destas duas. Poderíamos de alguma forma associar a melancolia à finitude humana, à morte que nos espera, à impossibilidade de acharmos algum sentido último para a existência. Se através da lógica, dos questionamentos racionais e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qual a relação entre a tristeza e a beleza?</p>
<p>Costuma-se chamar de melancolia o sentimento associado a uma aparente fusão destas duas.</p>
<p>Poderíamos de alguma forma associar a melancolia à finitude humana, à morte que nos espera, à impossibilidade de acharmos algum sentido último para a existência.</p>
<p>Se através da lógica, dos questionamentos racionais e da ciência não conseguimos respostas, a tristeza que brota dessa impossibilidade se realiza na contemplação do irracional. O irracional é o epicentro de toda arte e de toda religião. Pense na arte como a religião dos descrentes, ou na religião como a arte dos crentes.</p>
<p>Como inspiração, segue um vídeo de Erik Satie em suas melodias misteriosas, somadas às animações surreais de Raoul Servais:</p>
<p><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/arEz_mHl-Ok?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>O ceticismo frente à Wilhelm Reich</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 05:39:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cosmonauta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Como admirador de uma parcela significativa da obra de Wilhelm Reich, me sinto no dever de expor alguns equívocos do texto de Richard Morrock &#8211; Pseudo-Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich - cuja tradução foi publicada recentemente no site Ceticismo Aberto. O artigo carrega consigo inconsistências que iniciam pelo próprio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignleft" style="width: 167px"><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/WILHELM_REICH7.jpg"><img style="border: 1px solid black;margin: 5px" src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/WILHELM_REICH7.jpg" alt="Wilhelm Reich" width="157" height="209" /></a><p class="wp-caption-text">Wilhelm Reich</p></div>
<p>Como admirador de uma parcela significativa da obra de Wilhelm Reich, me sinto no dever de expor alguns equívocos do texto de Richard Morrock &#8211; <a href="http://www.ceticismoaberto.com/fortianismo/6240/pseudo-psicoterapia-ovnis-cloudbusters-conspiraccedilotildees-e-paranoacuteia-na-psicoterapia-de-wilhelm-reich" target="_blank">Pseudo-Psicoterapia: OVNIS, Cloudbusters, Conspirações e Paranóia na Psicoterapia de Wilhelm Reich </a>- cuja tradução foi publicada recentemente no site Ceticismo Aberto. O artigo carrega consigo inconsistências que iniciam pelo próprio titulo: Pseudo-psico-terapia, o que autor deseja afirmar com este termo? Acreditaria ele na existência de psicoterapias verdadeiras e psicoterapias falsas? Pois bem, sabemos que no meio cético é comum classificar como pseudociência toda teoria que apesar de fazer uso de termos científicos, não possui qualquer validação através do método científico. É simples caracterizar alguma ideia como pseudocientífica, uma vez que temos critérios rígidos para definir o que é a ciência a partir de seu método de experimentação, comprovação e repetição. Mas quanto à psicoterapia, como afirmaremos se ela é verdadeira ou falsa, uma vez que não existe qualquer método procedural de refutação nessa área, seu resultado depende de critérios subjetivos e frequentemente apoia-se em valores metafísicos? É principalmente o sujeito quem irá poder responder se uma terapia funcionou ou não. Podemos apenas recorrer aos relatos e à estatística &#8211; com quantos indivíduos a terapia funcionou? Mesmo o efeito placebo – a crença na terapia &#8211; pode ser um indicador de sucesso quando estamos tratando de terapias que não se apoiam em valores científicos, desde as ocidentais como a Psicanálise¹, a Gestalt-Terapia e a Bioenergética, até as orientais, como a Acupuntura.</p>
<div class="wp-caption alignright" style="width: 162px"><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/freud.jpg"><img style="border: 1px solid black;margin: 5px" src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/freud-217x300.jpg" alt="Sigmund Freud" width="152" height="210" /></a><p class="wp-caption-text">Sigmund Freud</p></div>
<p>A partir dessa constatação, podemos observar que apesar do artigo ter saído de uma revista de ceticismo, ele não segue o procedimento típico de um bom artigo cético, que busca desqualificar um fato ou uma idéia &#8220;pseudocientífica&#8221; através de provas científicas. Trata-se na verdade de um artigo que apresenta críticas sem referências, e que ao tentar atacar Reich e os reichianos ao mesmo tempo &#8211; há tanta diferença nestes quanto há em relação a Marx e os marxistas &#8211; não completa nenhuma das duas tarefas com seriedade.</p>
<p>De início, o que vemos é uma biografia reichiana seguida de uma observação de caráter sociológico sobre uma suposta contradição na &#8220;prescrição revolucionária de Reich&#8221;, o que me parece um dos pontos mais problemáticos do artigo:</p>
<blockquote><p>“Apesar de seus seguidores ignorarem o fato, há uma contradição na prescrição de Reich para a sociedade. Se, como Reich argumenta, a repressão sexual é essencial para a sobrevivência da sociedade classista opressora e se, como ele também afirma, a sociedade classista opressora impõe a repressão sexual, então por onde é que se começa a eliminar a opressão? Não pode ser através da psicoterapia, porque a classe dominante não permitiria, nem pode ser feito através da revolução, porque os trabalhadores sexualmente reprimidos não seriam capazes de criar uma sociedade verdadeiramente livre – basta olhar para a Rússia. Dadas as hipóteses de Reich, progresso social significativo é quase impossível. Não deveria ser surpresa, então, que seu grupo mais ativo de adeptos, o Colégio Americano de Orgonomia, já se afastou das idéias originais esquerdistas de seu fundador e apoia uma variedade linha dura de ultra-conservadorismo.”</p></blockquote>
<p>Buscar a libertação do indivíduo (eliminar as neuroses autoritárias do corpo, da mente e da sexualidade) ao mesmo tempo em que a libertação na coletividade (lutar por uma sociedade igualitária, sem classes), é certamente uma das maiores contribuições de Reich no campo da luta (psico)social, mas para o autor esta é uma contradição sem solução, pois seria necessário se iniciar por algum lugar. Começar por algum lugar é preciso, mas isso não implica na impossibilidade de se trilhar caminhos simultâneos &#8211; isto é tão óbvio quanto perceber a possibilidade (e necessidade) de conciliar uma vida pessoal com uma vida pública. O autor acaba caindo então em sua própria armadilha quando lembra do fracasso da revolução russa e o atribui justamente à falta de uma revolução sexual, ou seja, uma transformação que se estendesse ao campo do indivíduo e suas relações íntimas.</p>
<div id="attachment_83" class="wp-caption alignleft" style="width: 236px"><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/adorno-marcuse.jpg"><img class="size-full wp-image-83" style="border: 1px solid black;margin: 5px" src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/adorno-marcuse.jpg" alt="Adorno e Marcuse" width="226" height="130" /></a><p class="wp-caption-text">Adorno e Marcuse</p></div>
<p>Vale lembrar que a fusão de elementos da psicanálise com elementos do marxismo encontrada em Reich foi levada a cabo por uma infinidade de outros autores do século XX, como Herbert Marcuse, Theodor Adorno e Raoul Vaneigem. Se para Morrock esta junção é uma contradição, Reich não seria o único a insistir nela. É certo que as ambições sociais desses autores não chegaram a se concretizar na realidade, assim como as ambições de Rousseau não se concretizaram com a revolução francesa e nem as de Marx com a revolução russa. Com isso, ao contrário de provar uma contradição em Reich, este ponto do artigo nos diz apenas que a libertação social e a superação do capitalismo são tarefas bastante difíceis (o que não é nenhuma novidade para os antagonistas do capital). E por mais que os relatos indiquem um conservadorismo em muitos reichianos estadunidenses, o autor comete um equívoco ao inferir que os seguidores póstumos de Reich iriam sempre abandonar a política de esquerda pelas contradições políticas de sua proposta de revolução sexual. No Brasil, por exemplo, nos anos setenta surge a somaterapia, unindo elementos da psicoterapia reichiana, com a crítica ao autoritarismo, a defesa do anarquismo e a capoeira de Angola – vista como uma dança de resistência.</p>
<p>Um mérito que reconheço no artigo está em acertar na identificação do que eu costumo caracterizar como o maior problema de Reich: sua insistência em combater o misticismo ao buscar transformar sua versão² da psicanálise em uma ciência, mas ironicamente terminar em uma espécie de jornada mística. Reich, como marxista tinha o materialismo (histórico/dialético) como valor determinante na composição não apenas social mas também psíquica. A descoberta do orgônio pode ser vista então como a resposta encontrada por ele para justificar seus anseios materialistas. O orgônio seria a energia sexual (a mesma &#8220;libido&#8221; ou &#8220;id&#8221; de Freud) que Reich alegava a possibilidade de ser medida por aparelhos eletrônicos ou vista a olho nu, constituindo assim seu aspecto material &#8211; físico e biológico.</p>
<div id="attachment_84" class="wp-caption alignright" style="width: 124px"><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/EBBEEFEE71.jpg"><img class="size-full wp-image-84 " style="margin: 5px" src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/EBBEEFEE71.jpg" alt="Representação dialética da energia orgônica" width="114" height="146" /></a><p class="wp-caption-text">Representação de Reich da energia orgônica</p></div>
<p>Se existe um ponto controverso nas ideias de Reich e que merece especial atenção dos céticos, sem dúvida é o orgônio. Morrock, ao pretensamente escrever um artigo cético, poderia ter dado mais atenção à questão do orgônio, mas preferiu o clichê de explorar a &#8220;ficção científica&#8221; de um livro não publicado de Reich contendo especulações sobre os UFOs (e escrito em seus anos mais difíceis e paranóicos), ou ainda, de relatar a opinião obviamente muito negativa de uma celibata, Anna Freud, sobre Reich, que era um ativista da revolução sexual. Já que o caráter pseudocientífico do orgônio foi negligenciado pelo artigo de Morrock, vou eu mesmo adotar uma postura cética e explorar brevemente esta interessante questão.</p>
<div id="attachment_86" class="wp-caption alignleft" style="width: 170px"><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/reich-with-cloudbuster.jpg"><img class="size-full wp-image-86" style="border: 1px solid black;margin: 5px" src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/reich-with-cloudbuster.jpg" alt="Reich manipulando cloudbuster" width="160" height="221" /></a><p class="wp-caption-text">Reich manipulando cloudbuster</p></div>
<p>Segundo James DeMeo, os orgonomistas possuem estatísticas, documentadas em diversos trabalhos acadêmicos, em que aparentemente provam o funcionamento de cloudbusters baseados no orgônio, manipulando o clima e trazendo chuva para desertos. Mas a existência do orgônio continua tão questionável quanto a existência do inconsciente freudiano, ou do inconsciente coletivo de Jung. Por mais que Reich afirmasse ter medido e ter visto o orgônio, descrito por ele como partículas cintilantes de cor azul, se estas medições físicas realmente procedessem, a orgonomia teria se tornado uma bela ciência. Porém, Reich não submeteu nenhum artigo descrevendo seus experimentos e os justificando cientificamente, ainda que curiosamente, achava estar fazendo ciência. É provável que ele soubesse que apesar de todos os seus esforços, não possuía meios teóricos e empíricos suficientes para tornar a orgonomia em uma ciência e esta seria a fonte de sua paranóia – a impossibilidade de seu projeto de vida. Chegou a pedir ajuda a Albert Einstein, em uma reunião realizada entre os dois em 1941, onde apresentou os princípios da orgonomia e espantou o físico da relatividade ao demonstrar o aumento da temperatura causado por um acumulador de orgônio. Einstein pediu que Reich deixasse o acumulador com ele para que fossem feitos mais testes, para depois de alguns dias escrever uma carta informando o encerramento da questão, ao explicar que o aumento de temperatura ocorrera pelo fenômeno de convergência (os movimentos de ar quente e frio entre o plano horizontal da mesa na sala onde se realizavam as medidas) e não pela ação do acumulador. Reich respondera que a convergência não justificaria o fenômeno, alegando que o aumento de temperatura ocorria em diferentes condições. Einstein, por sua vez, não respondeu mais às cartas, apesar dos elogios que Reich fez ao físico em suas cartas:</p>
<blockquote><p>“Excetuando meus colaboradores franceses e escandinavos, o senhor é o único homem de ciência que encontrei no decorrer dos últimos doze anos que compreendeu a base física de minha teoria biológica, a saber: <em>o desenvolvimento das vesículas de matéria orgânica pela ação da energia que se desprende da matéria</em>.”</p></blockquote>
<p>Do ponto de vista físico, é interessante que a noção de orgônio irá se encontrar com a já abandonada ideia científica de éter. Por muito tempo os físicos consideraram a existência do éter como o meio desprovido de forma ou matéria necessário para que a onda de luz vibrasse. A ideia foi abandonada quando a teoria da relatividade restrita (em que Einstein apresenta sua equação clássica utilizando a velocidade da luz como constante) desconsiderou a necessidade do éter. Ironicamente, com a relatividade geral (a aplicação da relatividade restrita à gravidade com a descrição matemática da curvatura do espaço-tempo), Einstein viria a trazer o éter de volta à cena, dizendo: “De acordo com a teoria da relatividade geral, um espaço sem éter é impensável”. Mesmo com esta afirmação, o éter deixou de ser um interesse na física, dada a impossibilidade empírica de seu estudo. O éter se configura então como um estranho fantasma que vem e volta, que não pode ser diretamente medido e por isso especular sobre sua existência &#8211; assim como no caso do orgônio &#8211; seria um trabalho a cargo dos metafísicos, e não dos cientistas.</p>
<div id="attachment_85" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/einstein.jpg"><img class="size-medium wp-image-85" style="border: 1px solid black;margin: 5px" src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2011/07/einstein-300x224.jpg" alt="Albert Einstein" width="240" height="179" /></a><p class="wp-caption-text">Albert Einstein</p></div>
<p>Por fim, é importante notar que no último parágrafo do texto de Morrock, este nos dá a entender que toda a obra de Reich deva ser invalidada por conta de suas paranóias nos seus últimos anos de vida, em que já havia sido expulso e perseguido por diversas instituições. Tal atitude é tão suspeita quanto sugerir que deveríamos também invalidar toda a obra filosófica de Nietzsche ou toda a obra matemática de John Nash (cujo a vida foi narrada no filme Uma Mente Brilhante) por terem sido também vítimas de suas vaidosas paranóias.</p>
<p><strong>Notas</strong></p>
<p>¹ &#8211; É evidente que a psicanálise, com suas analogias poéticas de fenômenos psíquicos a partir de figuras da mitologia grega (Édipo, Eros ou Thanatos) situa-se em um terreno mais próximo da filosofia do que da ciência. O bom senso nos permite identificar a limitação da ciência (ao menos em seu estado atual) quando estamos tratando da psique ou da subjetividade, por mais que o ceticismo em sua vertente dogmática não admita. Nao seria por acaso que o comportamentalismo buscou tornar a psicologia em uma ciência a partir da negação da existência da mente e da subjetividade.</p>
<p>² &#8211; Reich criou sua própria versão da psicanálise ao romper com Freud por volta de 1934, pois discordava do princípio de Thanatos (pulsão de morte) dualizando o inconsciente juntamente ao princípio de Eros (pulsão sexual, de vida). Enquanto o princípio de Eros já havia sido bem documentado na psicanálise sob a figura do “id” &#8211; a energia desejante da sexualidade – por meio de seus estudos Freud chegou a conclusão que o inconsciente desejaria também a morte e a destruição através de um princípio oposto, que identificou com Thanatos, o deus grego da morte. Para Reich, isso era inaceitável, pois afirmar uma tendência natural para o desejo da morte, da destruição e da violência significaria a impossibilidade da realização de seus ideais pacíficos e comunistas. Reich preferiu insistir na existência de apenas uma energia desejante de vida, que a chamou de orgônio, sendo o desejo de morte não uma tendência natural, mas a corrupção do orgônio pela sociedade repressora e autoritária – em suma, esta era uma crença na bondade natural humana, o bom selvagem de Rousseau. Ironicamente, em 1956, ano de seu processo levantado pela FDA (Foods and Drugs Administration) Reich iria voltar atrás e concordar com Freud no princípio de Thanatos, ao afirmar que havia detectado a presença de DOR (deadly orgone – orgônio mortal) no polêmico experimento ORANUR, em que teria submetido o orgônio a elementos radioativos e teria descoberto uma energia anti-biológica, de natureza contrária ao orgônio.</p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p>Somaterapia &#8211; <a href="http://www.somaterapia.com.br/soma.jsp" target="_blank">http://www.somaterapia.com.br/soma.jsp</a></p>
<p>DADOUN, Roger. Cem flores para Wilhelm Reich. (Neste livro o encontro de Reich e Einstein é descrito detalhadamente)</p>
<p>DEMEO, James. RESPONSE TO RECENT ARTICLES IN SKEPTIC MAGAZINE &#8211; <a href="http://www.orgonelab.org/skeptic.htm">http://www.orgonelab.org/skeptic.htm</a></p>
<p>OLIVEIRA, José Guilherme. História do conceito de Éter &#8211; <a href="http://www.orgonizando.psc.br/artigos/hst-eter.htm">http://www.orgonizando.psc.br/artigos/hst-eter.htm</a></p>
<p>MARTINS, Roberto. Espaço, tempo e éter na teoria da relatividade &#8211; <a href="www.revistapesquisa.fapesp.br/pdf/einstein/martins.pdf"><cite>www.revistapesquisa.fapesp.br/pdf/einstein/martins.pdf</cite></a></p>
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		<title>Uma tentativa de recomeço</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jul 2011 19:05:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cosmonauta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diario]]></category>

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		<description><![CDATA[Faz muito tempo que não escrevo por aqui. Acho que esses últimos meses têm sido difíceis para que eu conseguisse tirar um tempo para isso. Analisando melhor, a questão não se trata exatamente de tempo, mas de energia, uma vez que a jornada de trabalho dupla que acabei por aceitar esse ano me tirou boa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faz muito tempo que não escrevo por aqui. Acho que esses últimos meses têm sido difíceis para que eu conseguisse tirar um tempo para isso. Analisando melhor, a questão não se trata exatamente de tempo, mas de energia, uma vez que a jornada de trabalho dupla que acabei por aceitar esse ano me tirou boa parte da energia disponível. Assim, minha produtividade enquanto indivíduo se resumiu basicamente a escrever códigos de computador para os meus patrões. A partir dessa situação de 12 horas de trabalho por dia, pela primeira vez senti na prática o papel amortecedor que a televisão possui em nossa sociedade. Chegar em casa depois de um dia de trabalho e não conseguir fazer mais nada além de ficar sentado em frente a uma tela. Bem vindo ao mundo real.</p>
<p>Por algum motivo que não posso explicar exatamente, depois de ter terminado no ano passado minha graduação em ciência da computação, resolvi continuar meus estudos fora do país. Talvez fosse uma necessidade de respirar ares diferentes, ver a paisagem de um ponto de vista que não fosse o ar industrial de Joinville. Encontrei então um curso de mestrado em Saint Etienne-França que se encaixava perfeitamente nos meus interesses de pesquisa, na área de cores e visão computacional. Infelizmente não consegui nenhuma bolsa até o momento, o que me levou à decisão de trabalhar em jornada dupla para juntar dinheiro e assim me sustentar durante meus estudos.</p>
<p>As experiências que tive com o mercado de trabalho foram a confirmação de que eu iria seguir uma carreira acadêmica. O mercado de trabalho, como o conheci, respira sem pudor as contradições do capitalismo e apenas reproduz essa ordem, onde pessoas são números e você precisa escolher entre ser o explorador ou o explorado. Não que a academia não tenha seus problemas (no meu ponto de vista crítico ao autoritarismo e a burocracia), mas me parece que as possibilidades são mais interessantes em um ambiente acadêmico onde a produção e a pesquisa não estejam totalmente voltadas ao lucro. Claro que essa decisão de seguir carreira acadêmica foi também influenciada pelo meu interesse por ciência, filosofia e arte, principalmente sob um horizonte de possível mistura desses interesses, como temos feito com o grupo <a href="http://musa.cc">MuSA</a>.</p>
<p>Acho que vale comentar que a experiência de partir é um tanto confusa. O que vai, o que fica? Serei a mesma pessoa em outro lugar? Seria covardia deixar sua cidade em busca de outro lugar em vez de ficar e tornar sua cidade um lugar melhor?</p>
<p>Mas olhando por outro lado, tenho impressão de que essa não é a primeira vez que estou partindo. Mesmo vivendo em um mesmo lugar, estamos sempre chegando e partindo, conhecendo novos territórios, pessoas, amores e idéias, para em seguida nos despedirmos e reiniciarmos nossa viagem.</p>
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		<title>Zumbi somos nós!</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 16:36:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cosmonauta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Joinville]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2010/11/cartaz_reduzido.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-67" src="http://cosmonauta.noblogs.org/files/2010/11/cartaz_reduzido.jpg" alt="" width="535" height="259" /></a></p>
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		<title>Caindo na estrada</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 21:14:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cosmonauta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Musica]]></category>

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		<description><![CDATA[I&#8217;m gonna stay young until I dieeeee!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://radiotarrafa.libertar.org/wp-content/uploads/cartas-festa-radio-internet.png" alt="" width="529" height="376" /></p>
<p><img class="alignnone" src="http://i170.photobucket.com/albums/u252/gugoestadevolta/CARTAZLUGARNENHUM2.jpg" alt="" width="430" height="414" /></p>
<p>I&#8217;m gonna stay young until I dieeeee!</p>
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		<title>Violência Policial na Udesc</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 23:20:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cosmonauta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diario]]></category>
		<category><![CDATA[Joinville]]></category>
		<category><![CDATA[Mobilidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao longo do m&#234;s de maio ocorreram quase todos os dias manifesta&#231;&#245;es contra o aumento da tarifa de &#244;nibus em Florian&#243;polis, movimentando milhares de pessoas contra a ind&#250;stria do transporte coletivo. No dia 31 de Maio, policiais invadiram o Campus da Udesc e agrediram estudantes com g&#225;s de pimenta, cacetetes e choques el&#233;tricos. Tratava-se de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao longo do m&ecirc;s de maio ocorreram quase todos os dias manifesta&ccedil;&otilde;es contra o aumento da tarifa de &ocirc;nibus em Florian&oacute;polis, movimentando milhares de pessoas contra a ind&uacute;stria do transporte coletivo. No dia 31 de Maio, policiais invadiram o Campus da Udesc e agrediram estudantes com g&aacute;s de pimenta, cacetetes e choques el&eacute;tricos. Tratava-se de uma manifesta&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica de 150 estudantes e populares contra o aumento das tarifas de transporte coletivo em frente ao port&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o de ensino. Durante a invas&atilde;o policial estudantes que estavam nas depend&ecirc;ncias do campus universit&aacute;rio foram agredidos e 5 pessoas foram presas.</p>
<p>Em uma entrevista concedida ap&oacute;s o violento espet&aacute;culo, o Tenente Coronel Newton Ramlow (respons&aacute;vel pela a&ccedil;&atilde;o policial), afirmou que &quot;a a&ccedil;&atilde;o foi um tapinha na bunda no movimento, como que um pai d&aacute; em um filho para que ele se organize e n&atilde;o repita o vandalismo da ultima quinta onde vidros do banco Santander e BESC foram quebrados&quot; [1]. A partir desta afirma&ccedil;&atilde;o, fa&ccedil;o algumas reflex&otilde;es sobre o papel da pol&iacute;cia em uma sociedade falsamente democr&aacute;tica, que em &uacute;ltima inst&acirc;ncia parece buscar o controle por meio de metamorfoses constantes. Ao realizarmos bem nosso papel de consumidores, exercendo a liberdade, a igualdade e a fraternidade atrav&eacute;s do consumo, a sociedade nos parece mansa e nos garante at&eacute; mesmo uma liberdade de express&atilde;o ilus&oacute;ria. Mas em alguns momentos, principalmente por meio da a&ccedil;&atilde;o policial, h&aacute; uma metamorfose para a viol&ecirc;ncia, que traz a possibilidade de se desmascarar a ilus&atilde;o de que existe liberdade de express&atilde;o [2]. O poder n&atilde;o pode ser encarado como o estado ou a corpora&ccedil;&atilde;o, mas como<br />
uma entidade h&iacute;brida alimentada por uma defesa rec&iacute;proca de interesses entre<br />
ambas as institui&ccedil;&otilde;es, com o &uacute;nico compromisso de garantir sua pr&oacute;pria<br />
sobreviv&ecirc;ncia.</p>
<p>
A afirma&ccedil;&atilde;o por parte do tenente de que a pol&iacute;cia estava agindo como um pai protetor, mais do que uma justificativa sem sentido para desmobilizar os manifestantes atrav&eacute;s de violenta repress&atilde;o, nos leva diretamente &agrave; no&ccedil;&atilde;o de biopoder [4]. O poder que assume a posi&ccedil;&atilde;o de controlar a vida em seus aspectos mais b&aacute;sicos atrav&eacute;s de toques de recolher, medidas corretivas, ou como o tenente mesmo diz, &quot;tapas na bunda do movimento&quot;. Se a fam&iacute;lia enquanto institui&ccedil;&atilde;o fracassa em &quot;educar&quot; suas proles segundo os valores da moral e da obedi&ecirc;ncia, e os tapas que os pais d&atilde;o nos filhos n&atilde;o s&atilde;o o suficiente, o estado se presta &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de realizar esta tarefa.</p>
<p>Em contato com Y. , um amigo de Florian&oacute;polis que participou das manifesta&ccedil;&otilde;es, ele me garantiu que em nenhum momento o movimento tomou a postura de quebrar os vidros dos bancos, tendo sido este um caso isolado, muito provavelmente de pessoas infiltradas [3]. </p>
<p>Como estudante (formando) da Udesc em Joinville, quero expressar meu rep&uacute;dio pelo ocorrido, e relatar que eu e mais alguns amigos fomos procurar a imprensa do Centro de Ci&ecirc;ncias Tecnol&oacute;gicas da Udesc Joinville e o Danma (Diret&oacute;rio Acad&ecirc;mico) para que se manifestassem contra o absurdo que foi a invas&atilde;o e prestassem solidariedade. Infelizmente a imprensa n&atilde;o realizou nenhuma publica&ccedil;&atilde;o sobre o assunto, mesmo com nosso pedido. Os integrantes da chapa atual do Danma tamb&eacute;m n&atilde;o se demonstraram interessados, e alguns deles chegaram inclusive a defender a a&ccedil;&atilde;o policial. Tivemos que conversar com a Dani, presidenta do DCE da Univille, para participar da reuni&atilde;o do Danma e relatar sua participa&ccedil;&atilde;o em uma das manifesta&ccedil;&otilde;es em Florian&oacute;polis, dando uma ideia diferente daquela que &eacute; passada pelos mentores intelectuais (dentre eles Luiz Carlos Prates) dos estudantes de engenharia da Udesc.</p>
<p>Desta forma, repudio aqui n&atilde;o s&oacute; a atitude dos policiais que invadiram a Udesc em Florian&oacute;polis, mas tamb&eacute;m a atitude socialmente deslocada da chapa atual do Danma e da imprensa da Udesc Joinville. Isto caracteriza uma triste falta de solidariedade e total desconex&atilde;o entre os diferentes centros/campus da Udesc. </p>
<p>[1] Relato do evento de invas&atilde;o da UDESC &#8211; dispon&iacute;vel em <a href="#more-220" target="_blank">http://www.fltcfloripa.libertar.org/?p=220#more-220</a></p>
<p>[2] &Agrave; respeito da viol&ecirc;ncia policial e pseudo-democracia, Howard Zinn nos diz &quot;Liberdade de express&atilde;o? Tente e a pol&iacute;cia estar&aacute; l&aacute; com seus cavalos, seus cassetetes, suas armas, para parar voc&ecirc;.&quot; </p>
<p>[3] Mesmo que a postura de destruir propriedades tivesse sido adotada pelo movimento, tenho uma tend&ecirc;ncia em acreditar que &eacute; imposs&iacute;vel cometer viol&ecirc;ncia contra objetos: a viol&ecirc;ncia &eacute; um ato sempre cometido contra pessoas, atrav&eacute;s de agress&otilde;es f&iacute;sicas ou psicol&oacute;gicas. Quando s&iacute;mbolos da sociedade do lucro como os bancos s&atilde;o quebrados, o que est&aacute; em jogo s&atilde;o valores que sustentam a sociedade e o poder econ&ocirc;mico. E inevitavelmente haver&aacute; uma rea&ccedil;&atilde;o verdadeiramente violenta por parte dos mecanismos de defesa desta sociedade, atrav&eacute;s da for&ccedil;a policial. Por exemplo, nos protestos contra o G8 ocorridos em 1999 em G&ecirc;nova, quando carros foram queimados e redes de fast food foram destru&iacute;das, a pol&iacute;cia reagiu com verdadeira viol&ecirc;ncia, assassinando o manifestante italiano Carlo Giuliani.</p>
<p>[4] Biopoder &eacute; um conceito criado por Michel Foucault para se referir ao poder exercendo controle diretamente sobre o corpo e a vida humana, incluindo processos como o nascimento, a morte, a produ&ccedil;&atilde;o, a doen&ccedil;a, etc. A no&ccedil;&atilde;o de biopoder relacionada &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do estado parece ainda bastante atual e pode ser relacionada tamb&eacute;m a casos como a farsa da gripe H1N1, como foi feito <a href="http://colunassemanais.blogspot.com/2009/05/gripe-suina-e-biopoder.html." target="_blank">neste artigo</a>.</p>
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		<item>
		<title>Mímesis Mulleriana</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 17:45:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cosmonauta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cibercultura]]></category>
		<category><![CDATA[Joinville]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; O nome da exposi&#231;&#227;o Mimesis M&#252;lleriana uma&#160; Pl&#225;giocombina&#231;&#227;o vem do conceito de Mimetismo Circular, atribu&#237;do &#224; descoberta de Fritz M&#252;ller em sua observa&#231;&#227;o da flora e fauna. Fritz M&#252;ller observou que em alguns casos duas esp&#233;cies se imitam reciprocamente e ao se transformarem acabam se assemelhando. A met&#225;fora na exposi&#231;&#227;o referencia a natureza processual [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://gabi.void.cc/wp-content/uploads/2010/06/flyer_mimesis2.jpg" width="480" height="657" /></p>
<p>
&nbsp;
</p>
<p>
<span style="font-size: x-small;color: #000000">O nome da exposi&ccedil;&atilde;o<em><br />
Mimesis M&uuml;lleriana uma&nbsp; Pl&aacute;giocombina&ccedil;&atilde;o</em> <span style="color: #4a442a">vem<br />
do conceito de <em>Mimetismo Circular</em>, atribu&iacute;do &agrave; descoberta de<br />
Fritz<br />
M&uuml;ller em sua observa&ccedil;&atilde;o da flora e fauna.</span> <span style="color: #4a442a">Fritz<br />
M&uuml;ller observou que em alguns casos duas esp&eacute;cies se imitam<br />
reciprocamente e ao<br />
se transformarem acabam se assemelhando.</span> <span style="color: #4a442a">A<br />
met&aacute;fora na exposi&ccedil;&atilde;o referencia a natureza processual dos projetos<br />
colaborativos das instala&ccedil;&otilde;es <span style="font-family: verdana,sans-serif">multim&iacute;dia resultantes da Oficina de Arte e<br />
Tecnologia. A oficina, promovida durante o primeiro semestre de 2010,<br />
como<br />
evento de extens&atilde;o do Ceart da UDESC e acolhida pela Funda&ccedil;&atilde;o Cultural<br />
de<br />
Joinville e pela Casa da Cultura, Galeria de Arte Victor Kursansew,<br />
resultou na<br />
exposi&ccedil;&atilde;o </span></span><span style="font-family: verdana,sans-serif"><em>Mimesis<br />
M&uuml;lleriana.</em><span style="color: #4a442a"> O<br />
progn&oacute;stico quanto aos trabalhos que envolvem arte e tecnologia relativo<br />
aos<br />
procedimentos da produ&ccedil;&atilde;o e recep&ccedil;&atilde;o e circuito exibitivo foi<br />
confirmado. A<br />
maior transforma&ccedil;&atilde;o consiste ainda em como percebemos nossos<br />
instrumentais.</span></span></span>
</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify;font-family: verdana,sans-serif">
<span style="font-size: x-small">Em 2006 a exposi&ccedil;&atilde;o <em>Emparedados</em>,<br />
no MHSC, focou projetos de instala&ccedil;&otilde;es interativas que se apropriaram do<br />
hist&oacute;rico e do aparelhamento do museu hist&oacute;rico com seus arquivos e<br />
mobili&aacute;rio.<br />
As instala&ccedil;&otilde;es pensadas como <em>site specific</em> se referiam &agrave; mem&oacute;ria<br />
do<br />
pr&eacute;dio e seu uso no passado como domic&iacute;lio do governador e de sua<br />
fam&iacute;lia, e<br />
como gabinete de governo. Estas pretendiam ao meu ver instalar um<br />
dispositivo<br />
po&eacute;tico no visitante sobre a mem&oacute;ria do espa&ccedil;o. Eram dispositivos<br />
imateriais,<br />
processuais.</span>
</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify;font-family: verdana,sans-serif">
<span style="font-size: x-small">Na exposi&ccedil;&atilde;o processo<br />
<em>M&iacute;mesis M&uuml;lleriana,</em> agora aberta na Galeria Victor Kursansew,&nbsp; o<br />
que chama a aten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o os projetos dos coletivos ou dos artistas<br />
individuais<br />
mas o fato dos pr&oacute;prios artistas eles mesmos serem os potencializadores<br />
do<br />
processo contagiando outros por proximidade presencial. Durante a fase<br />
de<br />
gesta&ccedil;&atilde;o dos projetos a percep&ccedil;&atilde;o &eacute; exacerbada e amplificada por outros<br />
que n&atilde;o<br />
s&atilde;o apenas receptores da proposta po&eacute;tica. Os micro-controladores usados<br />
em<br />
alguns dos projetos apenas controlam est&iacute;mulos de entrada e de sa&iacute;da.<br />
Mas a<br />
condutividade da po&eacute;tica junto &agrave; percep&ccedil;&atilde;o materializada &eacute; que determina<br />
o<br />
&ldquo;estado obra&rdquo; em devir.&nbsp; </span>
</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 10pt;text-align: justify;font-family: verdana,sans-serif">
Por Yara Guasque</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>1 de maio</title>
		<link>http://cosmonauta.noblogs.org/post/2010/04/30/1-de-maio/</link>
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		<pubDate>Fri, 30 Apr 2010 18:59:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cosmonauta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Joinville]]></category>

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		<description><![CDATA[1 de maio em Joinville tem: &#160; &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
1 de maio em Joinville tem:
</p>
<p>
&nbsp;
</p>
<p>
<img src="http://bicicletadajlle.files.wordpress.com/2010/04/bicicletada1demaio.png?w=500&amp;h=418" width="450" height="378" />
</p>
<p>
&nbsp;
</p>
<p>
<img src="http://3.bp.blogspot.com/_vTWx81j6c30/S9iaziOyCgI/AAAAAAAAADY/uRIc6CKvh58/s1600/01-maio_4b.jpg" width="450" height="700" /></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Software Livre e copyleft na Radio Udesc</title>
		<link>http://cosmonauta.noblogs.org/post/2010/03/16/software-livre-e-copyleft-na-radio-udesc/</link>
		<comments>http://cosmonauta.noblogs.org/post/2010/03/16/software-livre-e-copyleft-na-radio-udesc/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 03:08:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cosmonauta</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cibercultura]]></category>
		<category><![CDATA[Copyleft]]></category>
		<category><![CDATA[Open Source e GNU/Linux]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta ter&#231;a-feira (16 de mar&#231;o) as 9:30 e na quarta-feira as 17:30 estar&#225; sendo transmitida no programa &#34;Bate papo com a ci&#234;ncia&#34; na R&#225;dio Udesc FM uma entrevista sobre Software Livre e Copyleft feita comigo e com o Alan. Sintonizem em 91,9 MHZ ! Aproveito para indicar este v&#237;deo sobre o Creative Commons, que &#233; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
Nesta ter&ccedil;a-feira (16 de mar&ccedil;o) as 9:30 e na quarta-feira as 17:30 estar&aacute; sendo<br />
transmitida no programa &quot;Bate papo com a ci&ecirc;ncia&quot; na R&aacute;dio Udesc FM uma<br />
entrevista sobre Software Livre e Copyleft feita comigo e com o <a href="http://alfakini.cc/blog" target="_blank">Alan</a>. Sintonizem em 91,9 MHZ !
</p>
<p>
Aproveito para indicar este v&iacute;deo sobre o Creative Commons, que &eacute; uma boa introdu&ccedil;&atilde;o a paradigma do Copyleft:
</p>
<p><object width="500" height="400"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/w9xPRFCk63Y?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/w9xPRFCk63Y?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="400" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
	</channel>
</rss>

