O pessoal da Bicicletada de Curitiba está a caminho de Joinville, numa viagem louca de 6 horas pedalando.
As 17h estarão no bar Chapeu dos Baianos (em frente ao Shopping Mueller) para conversar com o pessoal da Bicicletada de Joinville. Em seguida irá rolar uma pedalada pelas ruas de Joinville. Muito calor aguarda os curitibanos!
A Imersão de (desc)construtiva de Arte e Tecnologia foi um evento informal ocorrido em Floripa entre os dias 11 e 15 de Janeiro de 2010, onde estudantes de computação, engenharia, história, física, arte e psicologia se encontraram para criar e compartilhar artefatos técnicos. O ambiente foi a casa dos Tragtenberg, graças ao apoio de João, que a exemplo de seu conhecido avô, faz a sua parte por um futuro mais interessante.
Tantas pessoas juntas de áreas diferentes me fez lembrar os encontros da Conferência Macy, ocorridos entre 1946 e 1953, onde a cibernética foi fundada. Mas o aspecto das várias disciplinas coexistindo parece ser o único comum entre a Imersão e as Conferências Macy. Há uma diferença essencial: apesar da cibernética ter sido uma das primeiras iniciativas de uma pesquisa amplamente transdisciplinar, ela estava sendo criada para usos militares, e seus resultados permaneciam ocultos.
Na imersão de Arte e Tecnologia, o compartilhamento e o aprendizado coletivo definiram o modo de trabalho, influência inegável da cultura do software livre e do copyleft. Mas para que criar artefatos técnicos, o mundo já não está cheio deles?
As razões podem ser várias: para fazer música, para uma instalação interativa, para obter um transmissor de rádio. Tudo depende dos interesses individuais ou coletivos daqueles que inventam. Não há nada de novo aqui, as pessoas sempre inventaram. Mas nos últimos 150 anos, o que prevaleceu foi a invenção patenteada, o enjaulamento das idéias. Precisamos levar as idéias, nossas criações, para seu espaço de origem, para o meio comum.
Aconteceram oficinas de eletrônica básica e de linguagens multimídia livres como PureData, Processing e Arduino. Foram desenvolvidos projetos como um bafômetro, um robô feito com um leitor de células (de uma máquina caça níquel), luzes dinâmicas, miniamplificadores e comunicação sem fio para o Arduino.
Há uma série de coisas que estamos começando a (re)pensar. Qual o significado do que chamamos de culto à gambiarra? É apenas mais um "hobismo" de classe média, ou uma tendência de criação improvisada para as próximas décadas, à medida que as pessoas tornem-se cansadas de serem passivas, alvos inertes da produção em massa das fábricas?
Essa questão fica para ser respondida mais tarde, pois na medida em que estas redes de troca de conhecimentos se fortalecerem, teremos mais indícios e respostas. Por enquanto ficam fotos, vídeos e relatos , ainda sob construção.
Filmado em 1957, La Cravate (A Gravata) foi o primeiro filme dirigido por Alejandro Jodorowsky. O curta-metragem de 35 minutos é uma adaptação de um conto de Thomas Mann. Sem nenhuma fala, e com um cenário bastante minimalista, o filme nos remete a uma apresentação teatral de mímica. A atuação de Jodorowsky como personagem principal é um grande destaque, fruto de seus estudos de mímica com Marcel Marceau.
Veja o filme, em 3 partes:
Seguem abaixo algumas considerações pessoais sobre o filme:
Enquanto Tom Zé (na música A Gravata) vê na gravata um símbolo do
enforcamento do indíviduo pelo trabalho, Jodorowsky aparentemente a usa
como um símbolo da separação cartesiana. Vestida no pescoço, a gravata
se situa no limiar entre a cabeça e o restante do corpo humano. A
gravata pode ser vista então como a afirmação do dualismo mente-corpo
de Descartes, onde o corpo e a mente situam-se separados e
irreconciliáveis.
De início, o protagonista está orgulhoso de sua bela gravata. Mas
apaixona-se por uma mulher que desejava apenas seu corpo. Tratou então
de encomendar outras cabeças. Mas não adiantou, sua pretendente
conseguia agradar-se apenas com o corpo do rapaz. Provavelmente, se não
estivesse vestindo a gravata, iludido pelo idealismo ou pelo
materialismo, o pobre rapaz não teria se interessado pela moça. Teria
percebido que seu amor estava mais próximo do que imaginava, se não o
tivesse ignorado. Por fim, foi necessário trocar diversas vezes de máscara para que o protagonista descobrisse como ser ele próprio.
Nem amor platônico/idealista, nem puro genitalismo. Ao fim desta bela e
curta estória, Jodorowsky nos convida a jogar a gravata fora e viver o
amor de corpo e mente, fisica e espiritualmente.
Este vídeo foi feito em Outubro de 2009 na feira de Puerto del Iguazi, Argentina.
Ao acaso,
andando pela feira, deparei-me com uma agradável surpresa: um grupo de músicos andarilhos,
que de forma improvisada trouxeram bons sentimentos através de sua
música.
Reproduzo aqui um e-mail recebido pela lista CMI-Brasil. Trata-se de uma explicação sobre o Codex Alimentarius - um acordo mundial para a regularização de alimentos. Entre seus principais objetivos, talvez o mais notável seja o de perturbar ainda mais a vida do pequeno agricultor, das feiras, da medicina tradicional baseada em ervas, e é claro, aumentar os lucros de empresas como a Bayer e Monsanto.Primeiro Alca, depois Codex Alimentarius. No reino globalizado das corporações, ainda nos resta globalizar nosso protesto.
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Segue o texto do e-mail:
A partir de 01 de Janeiro de 2010 entra em vigor o polêmico Codex Alimentarius. Mas você não sabe exatamente o que é isso, pois não?... Pois é exatamente o que eles querem! Codex Alimentarius é um Programa Conjunto da Organização das Nações Unidas para a
Agricultura e a Alimentação - FAO e da Organização Mundial da Saúde - OMS. Trata-se de um fórum internacional de normalização sobre alimentos - sejam estes processados, emiprocessados ou crus - criado em 1962, e suas normas têm como finalidade proteger a saúde da população", assegurando práticas equitativas no comércio e manuseio regional e internacional de alimentos. Sua influência se estende a todos os continentes e seu impacto na saúde dos consumidores e nas práticas do comércio de alimentos em todo o planeta será incalculável.
As normas Codex abrangem ainda aspectos de higiene e propriedades nutricionais dos alimentos, código de prática e normas de aditivos alimentares, pesticidas e resíduos e medicamentos veterinários, substâncias contaminantes, rotulagem, classificação,
métodos de amostragem e análise de riscos.
Olhado assim, na versão oficial (exceto as aspas), parece uma coisa boa, certo? Bem, não exatamente... e, na verdade o Codex é olhado com total "desconfiança" (para usar uma palavra elegante) por todos os que denunciam que essa regulação tão "abrangente" virá a ser uma fonte poderosa de controle sobre as grandes populações e de apreciável lucro para as grandes corporações, especialmente as dos ramos químico e
farmacêutico. Traduzido em miúdos, o Codex vai trazer severas restrições à nossa já precária liberdade de escolha em termos de alimentação e prevenção/tratamento de doenças. Sem falar que considerações mais complexas podem ser feitas sobre o impacto dessas medidas no controle populational do planeta e na concentração de riquezas...
Os opositores do Codex fizeram uma síntese do que representará essa complexa rede de regulamentações, que, quando implementadas, serão MANDATÓRIAS para todos os países membros, cerca de 170 - o que inclui o Brasil:
- Suplementos nutricionais, como vitaminas, por exemplo, não poderão mais ser vendidos para uso profilático ou curativo de doenças; potências de qualquer suplemento liberado, estarão limitadas a dosagens extremamente baixas, sub-dosagens, na verdade, e somente as empresas farmacêuticas terão autorização para produzir e vender esses produtos (preferencialmente na sua forma sintética) em potências mais
altas - no caso da vitamina C, por exemplo, qualquer coisa acima de 200mg será considerada "alta", e será necessária uma receita médica para se poder comprá-la.
- Alimentos comuns, como o alho ou o hortelã, por exemplo, poderão ser classificados como drogas, que somente as empresas farmacêuticas poderão regulamentar e vender. Qualquer alimento ou bebida com qualquer possível efeito terapêutico poderá ser considerado uma droga.
- Alimentos geneticamente modificados não precisarão ser identificados como tal, e não saberemos a origem do que estamos comendo; a criação de animais geneticamente modificados também já consta dessa mesma pauta, ou seja, vai ser difícil saber que bicho se está comendo.
- Aditivos alimentares, a maioria sintéticos, como o aspartame, por exemplo, serão aprovados para consumo sem que se tenha conhecimento dos efeitos a longo prazo de cada um nem das interações entre eles a curto e longo prazos.
- Todos os animais destinados ao consumo humano, deverão receber hormônios e antibióticos como medida profilática; sabe aquele "gado orgânico", criado solto em pastagens e tratado só com homeopatia?... nunca mais!
- Todos os alimentos de origem vegetal deverão ser irradiados antes de serem liberados para consumo: frutas, verduras, legumes, nozes... nada mais chegará à nossa mesa como a natureza fez - tem gente brincando de Deus, mas desta vez não para criar, e sim para DEScriar.
- Os produtos "orgânicos" estarão completamente descaracterizados, pois terão seu padrão de pureza reduzido a níveis passíveis de atender às necessidades de produção em grande escala; alguns aditivos químicos e várias formas de processamento serão permitidos; tampouco haverá obrigatoriedade por parte do produtor de informar que produtos usou e em que quantidades - rótulos não serão obrigatórios na era pós-Codex.
- Para a agricultura convencional, os níveis residuais aceitáveis de pesticidas e herbicidas estarão liberados em níveis que ultrapassam em muito os atuais limites de segurança! Em outras palavras, estarão envenenando nossa comida.
Em síntese: os objetivos do Codex incluem (1) globalização das normas, (2) abolição da agricultura/criação orgânica, (3) introdução de alimentos geneticamente modificados, (4) remoção da necessidade de rótulos explicativos de qualquer espécie, (5) restrição de todos os remédios naturais, que serão classificados como drogas.
O Codex, na verdade, já começou a "acontecer" por aqui - alguém já reparou que não se consegue comprar nada numa farmácia de manipulação sem ter uma receita médica? Nem uma inocente vitamina C... Em compensação pode-se comprar praticamente qualquer
coisa SEM receita médica numa farmácia regular, que vende produtos industrializados, mesmo se forem antibióticos, anti-inflamatórios... - e até aquela mesma vitamina C que nos negaram há pouco na outra farmácia...
Indicar aquele chazinho para um amigo? Ou quem sabe informar ao vizinho que farelo de aveia ajuda a reduzir o colesterol? Sugerir que mamão solta e banana prende?... Nem pensar! Poderá ser considerado "prática ilegal da medicina"! Não se poderá dizer que produtos naturais curam doenças porque não são medicamentos e, na era pós-Codex, só medicamentos APROVADOS pelas novas regras poderão ser referidos para tratar doenças... e assim mesmo, só por um médico! Exagero? Quem sabe? - já teve gente presa na França por vender 500mg de vitamina
C... é que lá essa potência já é considerada "remédio", e não pode ser vendida sem receita médica.
Medicina alernativa, tibetana, ayurveda, homeopatia, essencias florais... só se a turma do Codex disser que pode. Se esse "programa" entrar em vigor (daqui a pouco mais de 1 ano) da forma como vem sendo "curtido" há mais de 45 anos, e alertado mundo afora, teremos perdido nossa liberdade de optar por uma medicina e nutrição naturais, poderemos vir a precisar de receita médica até para ir à feira...
mais informação :
Este é o trecho de um documentário produzido sobre o Projeto Ciclovida. Dentro do contexto da agroecologia no Brasil, o Ciclovida é uma das ações mais admiráveis. Ivânia e Inácio, face à ameaça à vida natural imposta pelo uso de produtos químicos nas plantações dos latifúndios, usam suas bicicletas para atrevessar a América do Sul distribuindo e colhendo sementes naturais (orgânicas).
Inácio também toca e compõe, sendo possível baixar as músicas aqui. Foi feito um CD com as músicas, que pode ser comprado por e-mail. Mais informações sobre o Ciclovida: http://projetociclovida.blogspot.com/
Quantos de nós não copiávamos músicas para fitas k7, gravadas da rádio, de CD's, ou mesmo de outras k7's? Lembro-me de ficar esperando minhas músicas preferidas tocarem na rádio, para então apertar o gatilho do botão rec, e montar minhas próprias coletâneas. Bons tempos..
Mas naqueles tempos, alguns barões do café não ficaram muito contentes com as possibilidades do formato k7. Nos anos 90, a RIAA (Record Industry Association of America) fez uma campanha contra a difusão das fitas cassete, intitulada "Home Taping is killing music". Isto ocorreu devido às k7 terem sido o primeiro formato de áudio que permitia que qualquer pessoa gravasse e copiasse em casa as músicas.
Jello Biafra junto aos Dead Kennedys teve a brilhante idéia de lançar a k7 do "In God We Trust Inc." em apenas um lado da fita. O outro lado, foi deixado em branco, para que qualquer um gravasse o que quiser em casa, e como eles sugeriram, ajudar a acabar com os lucros excessivos das grandes gravadoras:
Nos anos pós internet, o Pirate Bay também incorporou a marca da campanha da RIAA, iniciando uma verdadeira guerra contra as grandes gravadoras. Mais sobre o caso pode ser lido aqui. E aqui pode ser feito o download de uma apresentação que fiz sobre ética na internet.
Futuros Imaginários, de Richard Barbrook, trata principalmente de uma questão: até quando iremos permitir que nosso futuro seja imaginado a partir da ficção cientítica de Hollywood, carros voadores, guerras de andróides, tecnocracias baseadas em clonagem e etc? Não poderíamos construir nosso próprio futuro enquanto uma comunidade composta por agentes ativos e autônomos? O livro foi traduzido para o português de forma colaborativa (como na produção de programas de código aberto) e foi lançado no Brasil pelo Descentro, na décima edição do FISL (Fórum Internacional do Software Livre). O livro foi lançado em Copyleft, ou seja, a cópia é permitida e incentivada, e o download está disponível aqui.
Segue abaixo um trecho do livro.
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Ativistas da Nova Esquerda foram inspirados pelo sonho situacionista de quebrar a divisão entre produtores de mídia e consumidores. Em 1977, Félix Guattari anunciou orgulhosamente que as estações de rádios livres italianas criaram com êxito a primeira ágora eletrônica: “o imenso encontro permanente das ondas do ar”. Os ouvintes eram agora produtores.
No início os anos 1980, esse filósofo-psicanalista francês também celebrava as ossibilidades subversivas do sistema Minitel. Como as estações de rádio comunitárias, as redes de computadores eram inerentemente participativas e igualitárias. Em Mil platôs, Guattari – e seu colega da Nova Esquerda, Deleuze – previram que as hierarquias piramidais do estado e do mercado achariam cada vez mais dificuldade em controlar esses fluídos e autônomos “rizomas” que emergiam em oposição à sociedade cibernética de controle. Entre intelectuais radicais, essa atualização assegurou que o mcluhanismo ao estilo hippie mantivesse sua posição como a teoria de ponta. No momento em que a Internet se tornou um fenômeno de massa, os escritos de Deleuze e Guattari pareceram verdadeiramente proféticos. A conquista tecnológica mais importante da ética hacker colocou os princípios da Nova Esquerda em prática. Em meados dos anos 1990, Hakim Bey – um popularizador estadunidense dessa teoria libertária – identificou as comunidades virtuais da Internet com as subculturas subversivas das cenas das raves, das ocupações e dos festivais: “zona autônoma temporária”. Como a Nova Esquerda previra três décadas antes, o futuro era anarco-comunista. Na virada do milênio, Toni Negri – o profeta do autonomismo italiano – e Michael Hardt – seu camarada estadunidense – declaravam que a Internet preparava o caminho para a vitória das “multidões” oprimidas da humanidade sobre o “império” do capitalismo corporativo. Em apoio às suas visões, Maurizio Lazzarato anteviu a iminente queda do sistema fabril. Empresas ponto com já dispensavam as hierarquias fordistas. Dentro da emergente economia da informação, os produtores eram seus próprios gerentes.
Desde meados dos anos 1990, as possibilidades culturais e políticas abertas pela Internet se tornaram simbolizadas por novos ícones: ciborgues socialistas-feministas, hackers anarco-comunistas e artesões digitais social-democratas. Durante as últimas quatro décadas, suas atitudes “façam-vocês-mesmos” transformaram com sucesso as máquinas de fazer guerra e dinheiro em ferramentas de sociabilidade e expressão pessoal. No início do século XXI, os usuários da Internet são agora tanto consumidores quanto produtores de mídia. A vanguarda perdeu seu monopólio ideológico. O espetáculo foi quebrado. Dentro da Internet, o comunismo cibernético existe
aqui e agora.
Entretanto, ao mesmo tempo, a chegada da sociedade da informação não precipitou uma transformação social mais extensa. O pós-fordismo é quase indistinguível do fordismo. O comunismo cibernético é bem compatível com o capitalismo ponto com. Ao contrário do que diziam as doutrinas do mcluhanismo, a convergência das mídias, das telecomunicações e da computação não libertou – e nunca libertará – a humanidade. A Internet é uma ferramenta útil, não uma tecnologia redentora. Na teoria sem fetiche, são os humanos os heróis da grande narrativa da história. No final da década de 2000, pessoas comuns tomaram o controle de sofisticadas tecnologias da
informação para melhorar suas vidas cotidianas e suas condições sociais. Liberada dos futuros pré-determinados do mcluhanismo, essa conquista emancipatória pode fornecer inspiração para novas antecipações da forma das coisas que virão. Criatividade cooperativa e democracia participativa devem ser estendidas do mundo virtual para todas as áreas da vida. Dessa vez, o novo estágio de crescimento deve ser uma nova civilização. Mais do que disciplinar o presente, essas novas visões futuristas podem ser abertas e flexíveis. Nós somos os inventores de nossas próprias tecnologias. Nós podemos controlar nossas próprias máquinas. Nós somos os criadores das formas das
coisas que virão.
Tenho tido pouco tempo pra escrever por aqui, pois meu tempo tem sido dividido com dificuldade entre escrever a monografia de TCC, participar de projetos de Software/Hardware Livre e gravar um disco com a banda Lugar Nenhum no nosso estúdio. Temos o objetivo de documentar na Internet todo o processo de gravação quando esta for finalizada, com a intenção de colaborar com outras bandas que desejam aprender sobre métodos artesanais de gravação analógica.
Falando em música, seguem dois vídeos de 1969, do Tom Zé e Mutantes tocando no programa Jovem Urgente, que era exibido pela TV Cultura. O psiquiatra Paulo Gaudêncio, apresentador do programa, aborda temas como sexualidade, mobilidade e poluição urbana com grande maturidade, além de que, mesmo gravadas há 40 anos, suas palavras de preocupação e reivindicação ainda podem ser consideradas atuais. As músicas tocadas pelos "tropicalistas" complementam o caldo de idéias..
Nessa quinta as 18h vai acontecer a exibição do filme Donnie Darko, no CCT-Udesc Joinville, através do projeto intitulado Cinema Paralelo.
O projeto é uma iniciativa que visa trazer outros olhares para uma universidade que possui apenas cursos de "ciências exatas". Algumas experiências já haviam sido feitas, com a exibição de filmes na sala do Danma, mas ninguém aparecia nas mostras. Parece que o que realmente deu certo foi projetar os filmes no hall do bloco F, na parede do corredor.
Bem, espero que não esteja muito frio na quinta :)
Como Kafka e Sartre, Albert Camus nos apresenta o ser humano face ao absurdo da existência. Quando tive contato com o livro de sua autoria "A Peste", a primeira impressão que tive, é que Oran, a cidade onde a história se passa, guarda muitas semelhanças com Joinville. O trecho abaixo dá uma idéia:
Uma forma cômoda de travar conhecimento com uma cidade é procurar saber como se trabalha, como se ama e como se morre. Na nossa pequena cidade, talvez por efeito do clima, tudo se faz ao mesmo tempo, com o mesmo ar frenético e distante. Quer dizer que as pessoas se entendiam e se dedicam a criar hábitos. Nossos concidadãos trabalham muito, mas apenas para enriquecer. Interessam-se principalmente pelo comércio e ocupam-se, em primeiro lugar, conforme sua própria expressão, em fazer negócios. Naturalmente, apreciam prazeres simples, gostam das mulheres, de cinema, e de banhos de mar. Muito sensatamente, porém, reservam os prazeres para os domingos e os sábados a noite, procurando, nos outros dias da semana, ganhar muito dinheiro.
O livro ilustra a reação dos habitantes de Oran, ao depararem-se com uma peste contagiosa. Naturalmente, a maior parte dos cidadãos demorou algumas semanas para admitir a existência da peste. Isso pois lhes parecia absurdo que uma cidade tão exemplar nos quesitos da moral e dos bons costumes, onde todos trabalham com tanto esforço, poderia ser atingida por um flagelo tão horrível.
Com o decorrer do tempo, o médico Bernard Rieux, junto com outros voluntários, iniciam uma luta contra a peste, mesmo desconhecendo tanto a origem do mal, bem como se será realmente possível vencê-lo. Uma história profunda e existencialista, refletindo sobre diversos aspectos da condição humana, onde a cidade de Oran pode ser vista como uma espécie de microcosmo que representa simbolicamente as situações gerais do macrocosmo.
Bem, Joinville não está sendo atingida por nenhuma peste bubônica, mas mesmo assim, um grupo de vereadores insiste em implantar um toque de recolher para menores de 18 anos, a partir das 23h. Será isso nostalgia de um tempo onde as noites eram marcadas por um vazio imenso, acompanhado apenas de militares armados controlando a ordem pública?
Alegam que é uma medida necessária para controlar a criminalidade infantil. Uma reconstrução sintática e semântica mais adequada para mim seria dizer que essa é uma atitude infantil de vereadores criminosos. Pois para mim impedir jovens de transitar pelas ruas representa um crime contra o direito fundamental de ir e vir.
Lembro de uma vez quando tinha 16 ou 17 anos, que subi o morro do mirante de bicicleta a noite com alguns amigos, para observar de lá do alto do Morro do Boa Vista a beleza das luzes da cidade na madrugada. Depois pedalamos mais um pouco pelas ruas desertas, e voltamos para a casa quando o dia estava amanhecendo. Essa experiência nunca teria sido possível, se um policial nos parasse e levasse-nos até em casa, alegando cumprir ordens municipais.
É necessário reconhecer que há toda uma problemática de uso de crack por menores nas ruas (bem como por maiores), mas que é um problema sério e complexo, que geralmente está associado a frustrações psicológicas. Seria mais interessante um plano municipal de assistência psicológica para acompanhar essas pessoas que vivem nas ruas, para entender porquê essas crianças foram obrigadas a tomar essa vida (provavelmente não é uma escolha voluntária). A prática do toque de recolher seria o típico tapar o sol com a peneira, seria obrigar essas pessoas mais prejudicadas a usarem as drogas dentro de casas abandonadas e fingir que o problema não existe. Resumindo, é uma prática de higienização social, o "varrer a sujeira para de baixo do tapete".
Com um ar expressionista, filmado todo em preto e branco com alto contraste, Pi, de Darren Aronofsky, é um filme de clima tenso, que expõe um matemático a beira da insanidade, em sua busca pelo padrão numérico definitivo, aquele que determina o comportamento genérico da natureza. Estudando os padões na bolsa de valores, Max chega a um mesmo número que um matemático judeu que estuda os padrões numéricos no Torá. Como o matemático grego Pitágoras, Max acredita que todas as coisas são números. Isso é ressaltado ao longo do filme, com a repetição do seguinte monólogo de Max:
"Eu reassumo minhas posições:
1- A matemática é a língua da natureza.
2- Tudo o que existe pode ser representado e entendido por números.
3- Se você criar gráficos dos números de qualquer sistema, padrões surgirão
4- Existem padrões em todos os lugares da natureza".
Mas de forma análoga ao personagem Fausto, de Goethe, Max torna-se obcecado e paranóico em sua incessante busca pela Verdade. Como Fausto, que realiza o clássico pacto com o Diabo afim de obter o segredo da existência, Max faz um acordo com a máfia suja que procura faturar alto por trás da bolsa de valores. A princípio ele nega o dinheiro que lhe foi oferecido, afirmando que suas pesquisas não são motivadas pelo dinheiro, mas sim pela curiosidade científica. Mas o processador valvulado de Max queima ao calcular pela primeira vez a sequência de 216 números que definiria o comportamento do número Pi, o que faz com que o matemático acabe por aceitar um acordo com os investidores, onde ele teria que fornecer seus resultados e em troca receberia um poderoso microprocessador de Silício.
O estilo do diretor Darren Aronofsky, ao usar a repetição frenética de cenas e diálogos, enquadramentos ousados, situações perturbadoras e os efeitos de substâncias químicas no organismo seria adotado mais tarde também no filme Requiem para um Sonho, do mesmo diretor.
A situação vivida por Max nos traz à mente filmes como "El maquinista", de Brad Anderson , e a fotografia traz a lembrança do clássico expressionista "Metropolis" de Fritz Lang, assim como "Eraserhead" de David Lynch.
O número Pi
Pi é o valor da razão entre o comprimento da circunferência e o seu diâmetro. Também é uma das mais antigas constantes matemáticas conhecidas (fala-se do Pi em relatos feitos pelos antigos gregos, há mais de dois mil anos). Um círculo é, provavelmente, a forma geométrica mais perfeita e simples conhecida pelo ser humano. Como o Pi não é uma fração, não existe uma forma de descobrir seu valor exato. Na escola, aprendemos apenas que Pi é igual a 3,14 - e já basta para os cálculos das aulas de matemática e física. Já em cálculos científicos, usam-se mais dois números após a vírgula: 3,1416.
Praticamente desde que o Pi existe, matemáticos e pesquisadores de todo o mundo têm dedicado muito tempo a calcular e descobrir mais e mais dígitos possíveis após a vírgula, transformando o valor de Pi em um número gigantesco. Sendo um número infinito, muitos matemáticos se dedicam também a pesquisar os incalculáveis dígitos do Pi em busca de um padrão, um número perfeito que seria a resposta para tudo o que existe no Universo.
Nada melhor que finalizar o texto com o Pi contendo 10.000 números após a vírgula:
Feyerabend tornou-se famoso pela sua visão anarquista da ciência e por
sua suposta rejeição da existência de regras metodológicas universais. Ele indignou-se especialmente com
atitudes condescendentes de muitos cientistas em relação a tradições
alternativas. Por exemplo, ele pensava que opiniões negativas a
respeito da astrologia e a eficiência de danças da chuva não estavam
justificadas por pesquisas cientifícas, e dissimulavam
predominantemente atitudes negativas de elitismo e racismo. Em sua
opinião, a ciência tornou-se uma ideologia repressiva, muito embora
tenha surgido como um movimento de libertação. Segundo o pensamento de
Feyerabend uma sociedade pluralística deve proteger-se de ser muito
influenciada pela ciência, assim como de outras ideologias.
Iniciando com a suposição de que um método científico universal
historicamente não existe, Feyerabend argumenta que a ciência não
merece o status privilegiado que possui na sociedade ocidental.
Uma vez que os pontos de vista científicos não surgem de um método
universal que garanta conclusões de alta qualidade, ele sustentou que
não há justificação para a valorização científica reivindicada sobre
outras ideologias, como as religiões, por exemplo. Argumenta também que
conquistas científicas como a chegada do homem à lua não são razão
suficiente para dar à ciência um status especial. Em sua
opinião, não é justo utilizar suposições científicas para determinar
quais problemas merecem ser resolvidos e para julgar o mérito de outras
ideologias. Além disso, o sucesso dos cientistas está tradicionalmente
envolvido com elementos não-científicos, tais como inspiração a partir
de pensamentos míticos ou de fontes religiosas.
Baseado nestes argumentos, Feyerabend defendeu a idéia de que a
ciência deve ser separada do estado da mesma maneira que a religião é
separada na moderna sociedade secular. Ele vislumbrou uma "sociedade
livre" na qual "todas as tradições têm iguais direitos e igual acesso
aos centros de poder". Por exemplo, os pais devem ser capazes de
determinar o contexto ideológico da educação de seus filhos, em vez de
terem suas opções limitadas pelos padrões científicos. De acordo com
Feyerabend, a ciência deve também estar sujeita ao controle
democrático: não apenas determinar que assuntos devem ser pesquisados
através de eleição popular, as suposições e conclusões científicas
também devem ser supervisionadas por comitês de pessoas leigas. Segundo
ele os cidadãos devem utilizar seus próprios princípios ao tomar
decisões a respeito do que realmente importa. Em sua opinião, a idéia
de que as decisões devam ser racionalistas é elitista, pois
assume que filósofos ou cientistas estão em posição de determinar os
critérios pelos quais as pessoas em geral devem tomar suas decisões.
Há mais de uma década, todas as maiores cidades do mundo passaram a
ser equipadas com câmeras de vigilância. A justificativa dada pelos
governos sempre foi clara: garantir a segurança. A maior parte das
pessoas não questionou e acabou por aceitar essa nova realidade,
sutilmente imposta pelas autoridades locais. O senso comum diz "porquê
vou me preocupar com câmeras? Não tenho nada a esconder, sou um cidadão
de bem, e além do mais, essas câmeras são importantes para que sejam
identificados atos criminosos" . A identificação dos criminosos
certamente é um dos objetivos da implantação das câmeras, mas há um
outro ponto que não é exatamente o controle da violência, mas um tipo
muito peculiar de controle social. É claro que precisamos ainda definir
o que são "os criminosos". É comum governos e corporações considerarem
criminosos aqueles que lutam contra injustiças praticadas por essas
instituições. Um exemplo simples, adaptado à realidade de Joinville,
foi a perseguição realizada contra integrantes do Movimento Passe Livre
em 2005 [1]. Seguranças contratados pelas empresas de transporte
coletivo da cidade seguiram e ameaçaram através de "terrorismo
psicológico" militantes do movimento, que estavam participando de
protestos contra os aumentos da tarifa de ônibus. Com as câmeras de
vigilância, esse tipo de controle social torna-se potencialmente ainda
mais efetivo.
Analogia com a ficção de George Orwell
Na
vigilância pública realizada pelos governos e polícias, todas as
imagens ficam gravadas e restritas a um número limitado de pessoas, que
trabalham nas centrais de monitoramento.
Esse é um tipo de controle realizado pelas autoridades com objetivos de manter a "ordem" e a "harmonia".
Pelo
caráter de imposição e controle vertical, pode ser feito uma analogia
entre esse tipo de vigilância e o que ocorre na ficção de George
Orwell, 1984, escrita no ano de 1948.
Em 1984, todas as ruas e casas
são equipadas com tele-telas, dispositivos que filmam e reproduzem a
imagem do Grande Irmão (Big Brother), com seu olhar severo de eterno
vigilante. O Grande Irmão é uma figura interessante, pois apesar de ser
visto pelas tele-telas, ninguém nunca o viu fisicamente. Trata-se de
uma figura tão mistificada e poderosa, que aparentemente não possui
existência física.
O objetivo das tele-telas é registrar atos que
possam representar dissidências ao Estado/Partido. A ênfase nesse caso
é na disciplina, onde todas as pessoas devem obediencia total ao
estado, sendo proibida qualquer forma de pensamento livre, criatividade
ou mesmo expressão de emoções. A única expressão permitida é a
declaração de dever ao Partido.
Todavia, seria exagerado e
paranóico afirmar que a ficção de Orwell está se profetizando. O
controle por meio do Estado descrito por Orwell, representa um Poder
que seria melhor associado com aquilo que Michel Foucault chamou de
Sociedade Disciplinar, a partir de seus estudos das chamadas
instituições disciplinares clássicas: clínica/hospício, escola e
prisões. Essa Sociedade Disciplinar foi a forma como o Poder se
desenvolveu no século XX, através dos regimes totalitários, guiados por
nomes como Stalin, Hitler, Mussolini, Franco ou ainda, Getúlio Vargas.
Da Sociedade Disciplinar à Sociedade de Controle
Com
o advento dos meios de comunicação em massa, dos regimes de democracia
representativa e dos setores de prestação de serviços, o Poder veio a
adquirir formas mais sofisticadas de ação, menos baseado na repressão
explícita, dando ênfase às liberdades de consumo e a incorporação de
símbolos, onde a publicidade utiliza princípios de semiótica para
vender cada vez mais. Gilles Deleuze defende que a concretização da
Sociedade Disciplinar é a Sociedade de Controle (que normalmente vem
sendo chamada de Sociedade de Rede ou da Informação). Trata-se do
capital assumindo a forma rizomática, interiorizada, onde o controle
passa a ser mais horizontal do que vertical, mesmo que isso pareça
contraditório.
Depois do capital ter se apropriado das artes,
dos meios de comunicação e ter se adentrado cada vez mais nos campos
subjetivos, agora ele se funde nos processos criativos, no
inconsciente, nos desejos humanos mais íntimos. Diminui-se a ação do
Poder, sob a forma da Disciplina, na forma agressiva e impositora. Na
sociedade disciplinar existia a censura, a confissão, a perda da
identidade. Agora você pode ser quem quiser, ser comunista e usar uma
camiseta do MST, ter um site na internet criticando qualquer governo de
qualquer país (com excessão da China), que provavelmente você não será
exilado por isso. Essas liberdades são sempre apenas liberdades de
consumo, onde tudo é reduzido ao título de mercadoria, mesmo a
rebeldia. Desse modo, poderíamos concluir que se faz cada vez menos
necessária uma imposição de disciplina de um governo sob a população,
pois as próprias pessoas estão começando a realizar esse (auto)controle
[2] , por exemplo, através de formas voluntárias de vigilância e
exposição de suas vidas.
O cenário Web
O
sucesso das redes de relacionamento social na web podem ser indícios de
que Deleuze tenha alguma razão. Luli Radfahrer [3] afirma que o
micro-blog twitter é uma espécie de Big Brother voluntário, onde as
pessoas dão detalhes sobre tudo o que estão fazendo, sem que sejam
obrigadas a isso. De fato, parece que estamos vivendo um tempo da
efetivação dos Big Brothers voluntários, sendo o sucesso de audiência
do programa de televisão de mesmo nome o maior exemplo de como a
vigilância é um fator crucial em nossa atual sociedade.
A
nova tecnologia do Google, o Street View, leva essa vigilância a um
nível ainda mais alto. O Google Street View permite que se navegue
pelas ruas de uma cidade em três dimensões, com 360 graus na horizontal
e 270 graus na vertical. Um carro do Google transita pelas ruas das
cidades, tirando fotos, que ficam disponíveis a qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo. É a situação dos big brother voluntários, onde todos vigiam todos, levada ao nível das imagens.
Alguns sites como a comunidade GSTV Brasil
foram criados para disponibilizar imagens de pessoas em momentos
frustrantes, captadas pelo Street View. Houve também um caso polêmico
de divórcio causado através do Street View: um homem havia avisado sua
mulher que sairia de férias e navegando pela ferramenta ela descobriu
que o carro de seu marido estava em frente à casa de sua amante, na
mesma cidade.Após esses casos, o Google passou a borrar os rostos das
pessoas e placas de carros nas imagens, alegando que dessa forma
protegeria a privacidade das pessoas.
O Google vem seguindo
há alguns anos a prática de não apagar nenhuma informação de seus
servidores e é bem provável que o mesmo está sendo aplicado ao Street
View. Isso significa que seus servidores tem o potencial de armazenar
um histórico com imagens de tudo o que ocorre nas maiores cidades do
mundo.
A implantação de câmeras pelas cidades é algo que ameaça
não apenas a privacidade, mas o próprio livre-arbítrio. A partir do
momento que sabemos que existem câmeras mapeando nossos movimentos,
agiremos de forma diferente, guiados pelo medo de sermos vistos sendo
nós mesmos. Temo que o produto a longo prazo disso seja algo como
descrito em Homem Duplo, conto cyberpunk de Philip K. Dick, onde o
personagem principal se vê numa situação onde trabalha como vigilante,
controlando todos os seus amigos e ao mesmo tempo vigiando sua própria
vida.
Todos esse fatores, a princípio, podem nos levar a adotar
uma visão pessimista. Mas há uma série de iniciativas baseadas em
princípios vindos da cultura hacker que tem lutado por políticas de
privacidade na internet. A Privacy International, por exemplo, foi quem conseguiu que o Google borrasse o rosto das pessoas no Street View. É
importante que questinemos a implantação de novas tecnologias, pois
elas nunca são neutras, tendo impactos diversos sob todos os espectros
da vida humana.
Dinner with Microsoft is like dinner with Hannibal Lecter, it might
provide you with many a stimulating and intellectual conversation, but,
you have to ask yourself, what was their real motivation in inviting
you over?